Este blog faz parte de uma das ferramentas de avaliação do curso “Melhor Gestão, Melhor Ensino”, oferecido pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, que tem como objetivo a formação continuada de educadores da rede estadual, assegurando-lhes atualização e aperfeiçoamento e, consequentemente, melhor desempenho profissional que propicia maior grau de proficiência nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática do Ensino Fundamental II Anos Finais.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
SD - trabalhada no curso presencial
Profa Liz Ângela
LEIA O
CONTO DE MOACYR SCLIAR
PAUSA
Às sete
horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro. Fez a
barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha,
preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando:
—Vais sair de novo, Samuel?
Fez que sim
com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram
espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra
azulada. O conjunto era uma máscara escura.
—Todos os domingos tu sais cedo –
observou a mulher com azedume na voz.
—Temos muito trabalho no escritório –
disse o marido, secamente.
Ela olhou
os sanduíches:
—Por que não vens almoçar?
—Já te disse: muito trabalho. Não há
tempo. Levo um lanche.
A mulher
coçava a axila esquerda. Antes que voltasse a carga, Samuel pegou o chapéu:
—Volto de noite.
As ruas
ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava
vagarosamente, ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas.
Estacionou
o carro numa travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço,
caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e
sujo. Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro
no balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada.
Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé:
—Ah! Seu Isidoro! Chegou mais cedo
hoje. Friozinho bom este, não é? A gente...
—Estou com pressa, seu Raul – atalhou
Samuel.
— Está bem, não vou atrapalhar. O de
sempre - Estendeu a chave.
Samuel
subiu quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas
mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:
—Aqui, meu bem! – uma gritou, e riu:
um cacarejo curto.
Ofegante,
Samuel entrou no quarto e fechou a porta a chave. Era um aposento pequeno: uma
cama de casal, um guarda-roupa de pinho: a um canto, uma bacia cheia d’água,
sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um
despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.
Puxou a
colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o
casaco e os sapatos, afrouxou a gravata. Sentado na cama, comeu vorazmente
quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se fechou os
olhos.
Dormir.
Em pouco,
dormia. Lá embaixo, a cidade começava a move-se: os automóveis buzinando, os
jornaleiros gritando, os sons longínquos.
Um raio de
sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão
carcomido.
Samuel
dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa, perseguido por um índio
montado o cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa,
nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e
resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas.
Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados: o índio acabava de trespassá-lo com a
lança. Esvaindo-se em sangue, molhando de suor, Samuel tombou lentamente; ouviu
o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.
Às sete
horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia,
levou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu.
Sentado
numa poltrona, o gerente lia uma revista.
— Já vai, seu Isidoro?
—Já – disse Samuel, entregando a
chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio.
—Até domingo que vem, seu Isidoro –
disse o gerente.
—Não sei se virei – respondeu Samuel,
olhando pela porta; a noite caia.
—O senhor diz isto, mas volta sempre –
observou o homem, rindo.
Samuel
saiu.
Ao longo
dos cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes
recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.
Segue a situação didática trabalhada no curso presencial
Melhor Gestão, melhor Ensino.
A sequência didática do meu grupo no encontro
presencial ficou um pouco confusa, pois o tempo foi curto para a realização da
atividade. No entanto, elaborei a seguinte sequência:
Proposta: texto "PAUSA" - 9º ano
- Classe boa, porém falantes. A sala parece pequena para eles.
1º) Apresentação do texto: PAUSA;
2º) Sondagem: Discussão oral sobre qual será o
assunto;
3º) Leitura oral com a participação dos
alunos;
4º) Compreensão global das palavras do texto;
5º) Identificar no texto lido as
características do gênero conto (breve narrativa com um único núcleo);
6º) Análise reflexiva: levantamento de
hipóteses (O que Samuel pretendia com essa atitude?)
7º) Produção escrita: Você já vivenciou uma
situação como essa? Se sim, escreva um pequeno texto contando como foi, e, se
não, imagine o que levou Samuel a ter esse tipo de atitude e escreva um pequeno
texto como se você fosse o próprio Samuel.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
SD Avestruz - Mário Prata
Aqui vai uma sequência didática que fiz a partir do texto "Avestruz"
de Mário Prata. Ficou bem interessante, pode ser uma aula que os alunos gostem.
AvestruzMário Prata
O filho de uma grande amiga pediu, de presente pelos seus dez anos, uma avestruz. Cismou, fazer o quê? Moram em um apartamento em Higienópolis, São Paulo. E ela me mandou um e-mail dizendo que a culpa era minha. Sim, porque foi aqui ao lado de casa, em Floripa, que o menino conheceu as avestruzes. Tem uma plantação, digo, criação deles. Aquilo impressionou o garoto.
Culpado, fui até o local saber se eles vendiam filhotes de avestruzes. E se entregavam em domicílio.
E fiquei a observar a ave. Se é que podemos chamar aquilo de ave. A avestruz foi um erro da natureza, minha amiga. Na hora de criar a avestruz, deus devia estar muito cansado e cometeu alguns erros. Deve ter criado primeiro o corpo, que se assemelha, em tamanho, a um boi. Sabe quanto pesa uma avestruz? Entre 100 e 160 quilos, fui logo avisando a minha amiga. E a altura pode chegar a quase três metros. 2,7 para ser mais exato.
Mas eu estava falando da sua criação por Deus. Colocou um pescoço que não tem absolutamente nada a ver com o corpo. Não devia mais ter estoque de asas no paraíso, então colocou asas atrofiadas. Talvez até sabiamente para evitar que saíssem voando em bandos por aí assustando as demais aves normais.
Outra coisa que faltou foram dedos para os pés. Colocou apenas dois dedos em cada pé.
Sacanagem, Senhor!
Depois olhou para sua obra e não sabia se era uma ave ou um camelo. Tanto é que logo depois, Adão, dando os nomes a tudo que via pela frente, olhou para aquele ser meio abominável e disse: Struthio camelus australis. Que é o nome oficial da coisa. Acho que o struthio deve ser aquele pescoço fino em forma de salsicha.
Pois um animal daquele tamanho deveria botar ovos proporcionais ao seu corpo. Outro erro. É grande, mas nem tanto. E me explicava o criador que elas vivem até os setenta anos e se reproduzem plenamente até os quarenta, entrando depois na menopausa, não têm, portanto, TPM. Uma avestruz com TPM é perigosíssima!
Podem gerar de dez a trinta crias por ano, expliquei ao garoto, filho da minha amiga. Pois ele ficou mais animado ainda, imaginando aquele bando de avestruzes correndo pela sala do apartamento.
Ele insiste, quer que eu leve uma avestruz para ele de avião, no domingo. Não sabia mais o que fazer.
Foi quando descobri que elas comem o que encontram pela frente, inclusive pedaços de ferro e madeiras. Joguinhos eletrônicos, por exemplo. máquina digital de fotografia, times inteiros de futebol de botão e, principalmente, chuteiras. E, se descuidar, um mouse de vez em quando cai bem.
Parece que convenci o garoto. Me telefonou e disse que troca o avestruz por cinco gaivotas e um urubu.
Pedi para a minha amiga levar o garoto num psicólogo. Afinal, tenho mais o que fazer do que ser gigolô de avestruz.
PRATA, Mário. Avestruz. 5ª série/ 6º ano vol. 2
Caderno aluno p. 9
Caderno do Professor p. 18
OBJETIVO: reconhecer a estrutura da crônica, identificar
elementos da narrativa (narrador, espaço, tempo, personagens, enredo), analisar
a norma padrão em funcionamento no texto, criar hipóteses de sentido a partir
de informações dadas pelo texto (verbal e não-verbal).
SÉRIE: 7º ano. RI
TEMPO: 6 aulas
MATERIAL A SER UTILIZADO: Texto : O avestruz – Mário Prata;
vídeo do pica-pau: https://www.youtube.com/watch?v=MHw5nnrsYAw; artigo da revista eletrônica Recreio: (https://www.youtube.com/watch?v=MHw5nnrsYAw)
PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
- Onde vive o Avestruz? O
que ele come? Como você acha que ele é? Você já viu um avestruz?
- Vídeo do pica-pau (https://www.youtube.com/watch?v=MHw5nnrsYAw)
- Site revista recreio:
O avestruz é a maior ave do mundo, só que não voa! Veja 10 curiosidades
sobre o bicho
Veja dez curiosidades
sobre o avestruz, que se origina da África
Esta
ave adora viver em lugares bem calorentos
1. O avestruz é a maior
ave que existe. Mas ele não voa. Suas asas servem de proteção e ajudam o bicho
a se equilibrar quando corre.
2. Existe apenas uma
espécie de avestruz. Ela é originária da África, onde a ave vive nas savanas e
estepes. Como é muito resistente e se adapta a vários climas, foi levada para
várias partes do mundo, inclusive o Brasil.
3. O avestruz adora
calor. Ele consegue suportar temperaturas muito altas, de cerca de 55 graus
centígrados.
4. O alimento preferido
do avestruz é um besouro que tem cor de metal. Por isso, tudo o que brilha
chama a atenção dele e pode acabar comendo pregos, relógios e outros objetos
por engano.
5. O avestruz também
engole areia e pedregulhos. Ele tem dois estômagos. Um deles digere os
alimentos pela ação de enzimas. No outro, os pedregulhos ajudam a triturar o
que não foi dissolvido pelas enzimas.
6. Essa ave é tão gulosa
que costuma colocar a cabeça em buracos para procurar mais comida. Ela não faz
isso porque é tímida, não.
Seus
olhos são maiores do que seu cérebro!
7. O avestruz é gigante,
mas tem a cabeça bem pequena. Tanto que os olhos dessa ave são maiores do que o
cérebro. As pernas são musculosas e dão chutes fortes nos inimigos. Os pés têm
dois dedos, apenas um deles com unha.
8. O avestruz macho é
maior do que a fêmea. Ela faz o ninho, bota cerca de 50 ovos, dois por semana,
e choca-os durante o dia. À noite, é a vez de o macho aquecer os ovos com o
corpo.
9. O ovo de avestruz é o
maior que existe. Pesa quase 1 quilo e meio e seu tamanho corresponde a 25 ovos
de galinha. A casca é tão grossa que é usada por alguns povos para carregar
água e comida.
10. O filhote de
avestruz nasce depois de 40 dias em que o ovo é chocado, aquecido pelo corpo
dos pais. Com 1 dia de vida ele já deixa o ninho e com 1 ano já está do tamanho
de um avestruz adulto.
- Leitura do texto: O
avestruz – Mário Prata
- Imagens do animal
avestruz.
PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
6. Onde vive o Avestruz? O que
ele come? Como você acha que ele é? Você já viu um avestruz?
7. Vídeo do pica-pau (https://www.youtube.com/watch?v=MHw5nnrsYAw)
8. Site revista recreio: http://www.recreio.com.br/licao-de-casa/voce-sabiaavestruz
9. Leitura do texto: O avestruz –
Mário Prata
10. Imagens do animal avestruz.
11. Questões norteadoras de
significados:
- Você já se sentiu como um
avestruz?
- O texto “O avestruz” foi
engraçado para você? Houve humor? Qual parte da leitura fez você rir?
- Você teria um avestruz
como animal de estimação? Por que?
12. ATIVIDADE AVALIATÓRIA.
Pedir aos alunos que façam uma ilustração mostrando o que
compreenderam da crônica.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
O mundo dos livros
quinta-feira, 6 de junho de 2013
A MENINA QUE ODIAVA LIVROS
O gosto da leitura deve ser incentivada, buscando o prazer, através da diversidade dos livros despertar a leitura. Assista agora o vídeo sobre A MENINA QUE ODIAVA LIVROS.
Li esse conto na faculdade e fiz uma análise dele. Achei-o impressionante tanto pelo enredo como pela estrutura, o papel do narrador. Espero que gostem. Abraços.
ANÁLISE DO CONTO: “SENHORITA CORA” DE
JÚLIO CORTÁZAR
No
conto “Senhorita Cora” de Júlio Cortázar a comunicação entre os personagens é
obstruída por uma sequência de mal-entendidos, os quais surgem ou se agravam a
partir das conjecturas dos personagens a respeito dos outros interlocutores
presentes na narrativa, concebendo na convivência, aspereza ou ternura de
acordo com o que precede a concepção do sentimento.
No
que concerne à construção verbal o conto apresenta um processo peculiar de
formulação no tocante a mediação e a maneira como é traduzido o ponto de vista
dos personagens. Trata-se de uma narrativa em primeira pessoa, a qual deixa
exposto ao leitor os pensamentos, as sensações e as suposições subjetivas
feitas pelos personagens através do discurso interior. Os monólogos se
evidenciam sem nenhuma marcação textual na mudança da voz narrativa. Não há
indicativo da mudança: aspas, parágrafos, travessões. O que há, é uma intensa
polifonia de vozes nas quais são construídos diferentes pontos de vista simultaneamente.
Senhorita
Cora, Pablo e sua mãe, os médicos De Luisi, Suarez e Marcial ficam constituídos
como os narradores do conto os quais se apresentam numa construção narrativa
personativa (A narrativa personativa leva o leitor a
desligar-se da perspectiva retrospectiva de um narrador que habita um tempo futuro
àquele que norteia o mundo narrado e o convida a aventurar-se no presente do
drama), trazendo mais dramatização a cena devido a alternância de vozes.
As mudanças do ponto de vista se apresentam ao leitor por
meio de rupturas sintáticas, e elas se dão tanto entre um parágrafo e outro “(...), no fim ela foi embora e eu pude
terminar a fotonovela que tinha começado ontem à noite. ¶A enfermeira da tarde
se chama senhorita Cora, (...) (p. 18), como entre as orações “(...)o cobertor esquenta bem o menino, por
via das dúvidas vou pedir que lhe deixem outro à mão. Mas, sim claro que me
esquenta ainda bem que eles já foram embora, (...)” (p.16) e mesmo no
interior da frase, “(...), tão fofinho o
coitado com esse rostinho esbraseado, maldito calor que me sobe pela pele, o
que eu poderia fazer para que isso não me acontecesse, (...)” (p. 21). O narrador
se manifesta por meio das construções sintáticas, dos léxicos, os quais
determinam a faixa etária do personagem, a sua função no hospital e/ ou o seu
grau de relacionamento com os demais personagens além dos traços afetivos entre
eles “(...) mamãe tinha dito e pensava
que eu era como ela e que ia lhe dar ordens ou coisa parecida” (p. 16) –
Pablo; “(...) e foi pior ainda porque me
pareceu que ele ia cair no choro enquanto eu lhe raspava os poucos pelinho que
existiam ali.” (p. 19) – Cora; “(...)
ele tem apenas quinze anos, mas ninguém acreditaria nisso, sempre grudado em
mim, (...)” (p. 15) – Mãe.
A multiplicidade de vozes na narrativa, resulta na
incerteza quanto ao que de fato aconteceu além de expor a não comunicação entre
os leitores. Os comentários quase que casuais o fechamento repentino do texto
dá o tom do traço sugestivo e deixa em dúvidas o leitor com relação ao que de
fato ocorreu causando um brilhante efeito estético. Marcas textuais apontam
para a incerteza no conto como, por exemplo, “acho que”, “sei lá”, “é capaz de”, “talvez”, etc. marcas próprias
do modo verbal subjuntivo.
A narrativa de primeira pessoa destaca o acontecimento e
o fluxo de consciência dos personagens no momento mesmo do acontecimento,
resultando na separação convencional da narrativa no tangente a temporalidade
dada ao não distanciamento entre o agente da ação e o da narração ”Fui vê-lo às duas horas e ele estava
bastante bem em vista do que a coisa durou.” (p.23).
Quanto ao significado semântico do enunciado é colocado
ao leitor por meio da formulação da estrutura narrativa a qual evidencia os
conflitos apresentados na temática, cujo centro é a complicação na operação de
Pablo e na sua recuperação. Ambas passam pelos elementos do cotidiano como as
balas de hortelã, a revista de fotonovela, da alegria do chocolate, da mãe que
o envergonha, da sua timidez, etc.
A objetividade na relação médico-paciente “Bem, rapaz, agora vamos liquidar este
assunto de uma vez por todas, até quando vai ficar nos ocupando uma cama,
hein?” (p.32) se mescla com a afetividade nascente nas relações humanas ”Não consegui responder nada, fiquei ao seu
lado até que abriu os olhos e me olhou com toda sua febre e toda sua tristeza”
(p.30). No fim o que se impõe é a distancia entre o afetivo e a objetividade “ (...) sabia muito bem que não teria
necessidade de voltar a esse quarto, que Marcial e Maria Luisa cuidariam de
tudo até que o quarto ficasse outra vez livre.” (p.34).
A marcação da incapacidade de comunicação, de
entendimento entre os interlocutores acaba por se mostrar como uma metáfora do
isolamento em que os mesmos se encontram “(...)
preveni-o, mas ele não respondeu, devia estar mordendo o punho e eu não queria
ver seu rosto (...)” (p.22). Nesse aspecto a morte do garoto aparece como a
impossibilidade de entendimento entre os personagens, entretanto o contato se
configura como elo possibilitador de uma ação reflexiva “(...)seus olhos se enchiam de lágrimas que me aconteceu o de sempre,
tive raiva e quase medo, de repente me senti meio desamparada diante desse
moleque pretensioso.” (p. 30). Percebe-se aqui que a “Senhorita Cora” passa do desdém da admiração de Pablo à aceitação,
diante do quadro do paciente.
Em suma, a significação do conto passa, necessariamente,
pela forma e pela estética e ignorar tal premissa pode incorrer no não
entendimento da intencionalidade do autor.
Cristiane Zonta.
50 livros clássicos em português para download grátis
A experiência com a implantação de uma nova tecnologia, o computador, e as conseqüências para os usuários noviços foi inspiradora desse filme sensacional. A situação nele representada é a que, por analogia com o computador, teria acontecido quando, na Idade Média, se introduziu uma nova tecnologia chamada livro. É um filme sensacional que não se pode perder.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Ler para quê?
Ler nos leva a mundos não imagináveis.
Nos faz rir, chorar, dançar, acreditar...
Através da leitura viramos personagens
que não teríamos coragem de ser sem ler.
Nos dá poder, somos quem queremos ser,
em qualquer canto do mundo,
em qualquer situação,
vencemos a luta contra qualquer vilão.
Cristiane Zonta
O artista descendente de chinês Daniel Lai, usa uma técnica de dobrar papel parecida com o origami para mostrar a beleza do seu trabalho feito com livros. Junto com cada livro, vem um boneco de barro, para simbolizar a reflexão sobre a obra .http://www.criatives.com.br/2012/08/esculturas-com-paginas-de-livros/
Experiência de Leitura e escrita da Profª Cristiane
Não tenho muitos livros de que me recordar da minha infância. Apesar de ter sido alfabetizada pela minha mãe, ela não me apresentou e/ou leu histórias para mim na neste período. A leitura entrou na minha vida no início da minha adolescência, com a Moreninha de Joaquim M. Macedo, O escaravelho do diabo (único livro que me lembro de ter lido por orientação da escola), logo depois minha tia querida começou a trazer livros de literatura espirita e eu me apaixonei completamente pelo romance. Li vários livros de Sidney Sheldon, "O outro lado da meia noite", "O reverso da medalha", "A outra face", "O plano perfeito", e outros, li "Fernão Capelo Gaivota" de Richard Bach, "Infância" de Graciliano Ramos, "Vidas Secas" e "Angústia", "Poliana" de Eleanor Potter e "Poliana moça". São tanta leituras, O corcunda de Notre Dame, Os miseráveis, O pequeno Príncipe, A mão e a luva. Já na faculdade me apaixonei pelos contos: Sherlock Holmes, Edgar Alan Poe, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Machado de Assis, e outros; pelas crônicas, Luis Fernando Veríssimo, Raquel de Queiroz, Arnaldo Jabor, Machado outra vez; as poesias: Fernando Pessoa, Oswald de Andrade (brilhante), Carlos Drummond de Andrade (outro gênio), Adélia Prado (minha poetisa preferida), Manuel Bandeira, Gonçalves Dias (Ah!! Os ingênuos olhos dos poetas Românticos). Mais recentemente descobri minha paixão por escrever poesia, escrevi poucas, mas foi uma experiência que sempre que posso, repito. A-DO-RO.
Sem forma fixa
Poesia não tem forma.
Soneto, ode, oitava,
tudo desculpa para impedir o sentimento de sair, livre,
voando nos versos do poeta.
Seu comprimento?
O tamanho do sentir.
Sua velocidade?
O cair da lágrima, a eternidade do sorrir.
Que importa o que escrever.
o tema vem junto do coração apertado,
do grito na garganta.
A solidão abre a porta.
A caneta se agita no papel
pronta para desabafar,
para dar forma a mais um pensamento,
a mais um sentimento.
Cristiane Zonta
Sem forma fixa
Poesia não tem forma.
Soneto, ode, oitava,
tudo desculpa para impedir o sentimento de sair, livre,
voando nos versos do poeta.
Seu comprimento?
O tamanho do sentir.
Sua velocidade?
O cair da lágrima, a eternidade do sorrir.
Que importa o que escrever.
o tema vem junto do coração apertado,
do grito na garganta.
A solidão abre a porta.
A caneta se agita no papel
pronta para desabafar,
para dar forma a mais um pensamento,
a mais um sentimento.
Cristiane Zonta
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Depoimentos sobre experiências de leitura e escrita dos professores que participam do curso de capacitação à distância. Profª Liz, Angelita e Mitie
Bom, colegas, na minha infância quem lia para mim era minha mãe que já compravas os clássicos - Chapeuzinho Vermelho, Cinderela, Branca de Neve e os sete anões - vinha numa coleção, mas as histórias que marcarm a minha infãncia foram essas. Bom no decorrer dos anos de escola, não me lembro ter recebido muito incentivo para a leitura - só em casa mesmo, gibis - gostava da Luluzinha, meu pai os comprava sempre - já no ensino médio lembrei do livro que a profa de português adotou para leitua "Cem anos de solidão" não gostei, não tinha nada que dizia comigo e já pensei em algumas vezes em lê-lo novamente, mas confesso que não tenho vontade - pode ser depois que eu me aposentar quem sabe!! - Bom um livro que me apaixonei por ele foi no ensino médio Pollyana menina - até hoje eu indico para minhas alunas e comento. Gosto de ler contos narrativos, poesias, desde bula de remédio, receitas à cassificados. Não tenho uma leitura específica - um gênero, sei lá - identifico-me um pouco com a Danuza Leão - jornalista acima que lemos o seu depoimento sobre a leitura e escrita. A escrita veio só com a maturidade mesmo - não gostava de fazer redação, hoje como porfessora de português acho que os meus professores não "ensinavam bem" - sabiam só para eles. Exigiam redações, mas não "estimulavam" as nossas ideias, imaginações - só jogavam o tema e pronto - não sei se pude ser clara. Os anos de experiência na escola fizeram-me gostar de português e estamos nesta escola de aprendizado até hoje e vamos continuar a aprendendo - os tempos são outros e vamos que vamos nesta "luta" tarefa árdua de ensinar e aprender - (aprender nem tanto a gente aprende mesmo, graças a Deus, mas ensinar a tarefa é mais trabalhosa). abraços Liz
Meu contato com os livros não foi no meio familiar, pois morávamos na zona rural e não tínhamos a cultura da leitura em casa e nem o poder econômico para adquiri-los, portanto o gosto pela leitura foi despertado na escola com alguns professores. Na terceira série me encantei com a leitura de histórias pela professora e adorava quando tínhamos que reescrevê-las acrescentando adjetivos e outras informações que quiséssemos, amei os livros de Monteiro Lobato: Sítio do Pica Pau Amarelo e mais tarde Urupês; Ilha Perdida, na quinta série (não me esqueço da “fruta pão”, o alimento que encontraram para matar a fome), quantas aventuras, um mundo muito perto do meu vivido na infância.
Recentemente li “A Cabana” um livro de autoajuda, me encantei pelo universo do perdão e a santa trindade “Pai, Filho e Espírito Santo”, belíssima colocação de palavras de amor, foi neste livro que aprendi o que é Espírito Santo. O autor foi muito sábio com a questão “Deus ama a todos”.
Devemos incentivar e despertar o gosto pela leitura, é através dela que nossos conhecimentos se ampliam, melhorando assim a nossa escrita e argumentação. É nossa obrigação quanto adulto mostrarmos esse universo às nossas crianças, como disse Chartier “a tela do computador servirá sim de ajuda, mas nunca substituirá o prazer de folhear o livro.”
Minha experiência com a leitura foi ainda na
infância, lembro-me como se fosse hoje. Em dias chuvosos, minha mãe que morria
de medo de temporal, corria para cima da cama e chamava minha irmã e eu para
fazermos o mesmo. Ela deitava no meio e nós nas pontas, com cobertor e um livro
de histórias sobre virtudes, ficávamos ouvindo histórias até a tempestade
passar. Minha mãe era uma grande contadora de histórias e nos transportava a um
mundo cheio de magia. O tempo foi passando e esse meu encanto pelos livros
acabou na adolescência. Não gostava de ler, tinha preguiça e só lia se fosse
por obrigação. Não havia prazer em ler.
Felizmente o tempo muda as pessoas e eu
consegui resgatar esse prazer. Leio todo tipo de literatura. Tento passar esse prazer ao meu filho
herdando o mesmo hábito da minha mãe e aos meus alunos criando a atmosfera
propícia para que eles sintam que lendo você pode viajar sem sair do lugar.
“A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que
pareça, a quase totalidade, não sente esta sede.”
Carlos Drummond de Andrade
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